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O caso Carlos Ghosn e como o brasileiro condena o sucesso

Não escreveria este post hoje mas achei que deveria compartilhar com a blogosfera como a visão dos estrangeiros é muito diferente da visão dos brasileiros.

Como faço toda manhã ao acordar, pego meu celular e vejo se o mundo está acabando ou não. A primeira notícia que li hoje foi que um dos meus ídolos no mundo corporativo, Carlos Gosh, brasileiro, um dos CEOs mais bem sucedidos do mundo (leia aqui quem ele é se você não o conhece), o cara que nasceu em Rondônia e se tornou o primeiro não-japonês a liderar um grupo japonês; que salvou a Nissan da falência, havia sido preso no Japão por suspeita de fraude fiscal. Esta notícia já acabou com o meu humor matinal. Eu já pensando coisas como "tinha que ser brasileiro" e condenando o cara.

Fonte: Capa da BusinessWeek a esquerda. A direita uma tira de um mangá no qual Ghosn era retratado como herói e inspiração para crianças no Japão


Ao chegar ao trabalho agora pouco, comentei com um colega americano aqui sobre o Carlos e a decepção que tinha sido saber da notícia e como ele era um exemplo de sucesso para mim.

A visão de um estrangeiro

O colega então, para minha surpresa, me disse que conhecia a história do Ghosn e não entendia por que eu estava pensando aquilo e seguiu pontuando:

  • Ele não está sendo investigado? Ele já foi condenado?
  • Você acha que um CEO deste nível faz sua própria declaração de Imposto de renda? Pode muito bem ter sido um erro dos contadores, afinal no máximo que ele deve ter feito é ter pedido para aumentar as deduções e pagar menos imposto possível, afinal, quem não faz isso?
  • Existe muita competição neste meio, especialmente quando se chega ao topo da carreira. Como em toda grande empresa deve existir um grupo aspirante aos cargos executivos como o de CEO na Renault-Nissan que podem muito bem ter dado uma forcinha denunciando uma possível fraude ou até trabalhando junto com os contadores para incriminá-lo.
  • Na cultura japonesa é visto como vergonha ter um não japonês comandando um império, já pensou nisso e nas consequências?
Após meus contrapontos, ele seguiu ele com todo o cuidado ao falar isso, já que os americanos são muito cuidadosos quando falam de cultura de outros países mas como é amigo ele falou um pouco mais.

Vejo que vocês brasileiros estão um tanto marcados pela corrupção e é compreensível, mas vocês precisam acreditar mais nas pessoas. Vejo que condenam sem antes mesmo investigar, caluniam antes de saber a verdade e quando a verdade não é a esperada, simplesmente a ignoram, mas o dano a vida daquela pessoa já está feita (se referindo a um caso interno na nossa empresa). Até parece que o sucesso faz mal aos brasileiros, mas esta é minha percepção ao trabalhar com vocês brasileiros por 6 anos.
O cara pode ser culpado sim, não estou dizendo que não, mas não cabe a nós julgar e sim a justiça. Nevertheless não deixe que isto arruíne a imagem e a carreira desse seu exemplo. Um erro não deve nunca apagar as coisas certas que ele fez.


A visão do brasileiro

Navegando um pouco pelas notícias sobre o Carlos, me deparei exatamente com aquilo que o colega havia comentado acima, veja:
Fonte: Página de comentários do G1, em 19/11/2018


Não sei se ele é culpado ou inocente envolvido em um caso de sabotagem empresarial, o que sinceramente espero que seja, mas o post visa a mostrar como o brasileiro está amargurado com tudo o que é relacionado a corrupção e está pré-julgando consciente ou inconscientemente sem ao menos querer saber da verdade.
Precisamos retomar o bom senso. Acusar não é condenar. É preciso provas, é preciso análise e chance de defesa. Após isso tudo, é preciso aceitar a decisão da justiça, mas antes disso não.
Espero que o Carlos seja inocente, mas vamos esperar a justiça dizer isto. Se não for, tem que pagar pelos erros, afinal ele estava um tanto arrogante nos últimos tempos segundos os analistas que o entrevistavam, o que pode ser um sinal que o poder tenha subido a cabeça. Infelizmente isto acontece com frequência com os CEOs das grandes multinacionais.

Muitas leis e confusas demais

Além disso, este caso traz mais uma preocupação a nós que temos que declarar imposto de renda em outros países devido ao trabalho. Será que estamos fazendo tudo certo? Será que um dia um erro dado a complexidade das leis e regras não pode nos jogar em uma situação complicada como esta?
Durma-se com tanta preocupação !

Para leitura durante a semana:






20 comentários:

  1. Não entendi o largar tudo e viver de bolsa família no final do texto. Vc acha mesmo que é possível recebendo, se muito, R$ 89 por mês? Fonte: http://www.caixa.gov.br/programas-sociais/bolsa-familia/Paginas/default.aspx

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    1. Foi um exagero é claro Eduardo. Me refiro que quanto menos vc ganha ou tem, menores são ou devem ser suas preocupações.
      Algo a comentar a respeito do assunto principal ?

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  2. Excelente reflexão! Muito pertinente a visão deste americano, é muito facil julgar, só o tempo vai dizer e as vezes nem isso..! Confesso que não sou muito fã dele pois representa uma cultura workaholic, mas ele tem meu respeito pelas realizações na carreira!

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    1. Pois é VS. Na verdade a cultura japonesa é workaholic né. Existem pessoas aos 90 e tantos anos ainda trabalhando por que não consegue parar. O trabalho é está tão impregnado na mente das pessoas que não conseguem ver nada além disso na vida.
      Mas afora isso, sempre admirei o Ghosn e ninguém consegue chegar tão longe no Japão e mesmo nos EUA na Michelin se não tiver qualidades e uma visão diferenciada. Abcs

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  3. Poxa, esses dias li ou vi em algum lugar sobre confiarmos mais nas pessoas. O problema é que nosso histórico não ajuda rs

    Eu passei por um momento de pré julgamento quando cheguei na Itália. Ao descer do trem, um senhor me abordou dizendo para segui-lo pois ele percebeu claramente que estávamos perdidos. Fiquei naquela;

    - Vou, não vou? rs

    Acabei indo e no final deu SUPER certo. O senhor nos ajudou muito. Chegamos tranquilamente ao hotel sem contar que com sua ajuda passamos a usar o metro sem medo algum.

    Porém, vale salientar que no Brasil isso é mais complicado rsrs

    E sobre o final, as vezes deixo de operar no mercado devido a essas complicações. Porém sempre penso;

    - Poxa, estou me punindo, deixando de ganhar por algumas tarefas a mais?

    É aquela frase do Homem Aranha; - Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades...

    Abraço!

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    1. Nem fale II, sempre me pego pensando nisso. Os governos fazem isto de propósito. Elevam a burocracia e as punições ao máximo para desencorajar as pessoas comuns a obterem sucesso ou crescerem. Querem nivelar por baixo e manter o gado preso. devemos desafiar este status quo diariamente !!! Abcs

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  4. Sempre acompanhei a evolução do cara, desde a década de 90 quando eu ainda lia as 4 rodas da vida. Depois, passei a ler a Exame e ele sempre dava as caras por lá.

    Na verdade, nunca vi ele como brasileiro em si. O cara fez toda a carreira no exterior, e cresceu pela sua capacidade e competência. Sabe, não consigo ligar nacionalidade com capacidade ou princípios éticos de ninguém. São as atitudes que fazem o cara, e não o local de nascimento. E todos esses comentários de brasileiro é isso ou aquilo, com certeza, só servem para simplificar ou melar qualquer debate.

    Como vc, continuo admirando o cara e fazendo fé que haja algo errado nesse denúncia.

    Abraço!

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    1. Fala André. Pois é eu também o acompanho de longa data. Ele praticamente só nasceu no Brasil bem como Santos Dumont né, mas ambos carregam a nacionalidade e por muitos motivos inspiram muita gente. Continuaremos admirando mesmo que ele tenha feito algo errado de fato pois nem um imposto de renda sonegado aqui ou ali tlvz nem por culpa pessoal apagará sua trajetória. Abcs

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  5. Ótima reflexão AA40!
    Infelizmente temos uma síndrome de vira-lata, e menosprezamos nossa capacidade como brasileiros.
    Dizem que o Brasil é assim porque não vivemos uma guerra com outro país, e em geral, guerras tendem a unir a população e gerar um espírito de nacionalismo. Mas acho que podemos aprender isso sem passar por uma guerra, rs.
    Fica a lição até para evitarmos nossos próprios vieses e pensar duas vezes antes de julgar alguém, em especial dizendo "só podia ser brasileiro".
    Ainda precisamos evoluir como povo, mas tenho orgulho de ser brasileira apesar disso.
    Um abraço!
    Elsa

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    1. Exato, Veja o exemplo do Rio Grande do Sul que passou por guerras como o seu povo é patriota e tem senso crítico muito maior que o restante do país.
      O brasileiro em sua média é um dos povos menos evoluídos socialmente no mundo, a verdade é essa. Abcs Elsa

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  6. Coitadinho... Cara, não se trata de culpá-lo, mas tb não fique cegado pela sua admiração por ele. Óbvio que precisa esperar o final do juízo, mas é bom ficar com um pé atrás. Que seja um empresário de sucesso, não quer dizer que seja imaculado. Ambas as coisas tem nada a ver. Mas também não é bom ficar cegado. Santos, só nos céus! Abraço.

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  7. Fala AA40! Tive a mesma sensação de tristeza ao ler a notícia hoje. Algo parecido com o que senti com outros grandes executivos que admirei e vi cair.
    Mas seu texto foi brilhante e seu amigo também me fez refletir. Parece que brasileiro gosta de detonar antes de ter certeza. Isso aconteceu dezenas de vezes na história recente e continua acontecendo. Torço para que tenha sido um engano. O Brasil precisa de ídolos, especialmente no mundo executivo.
    Foi lendo a Você S/A com Roger Agnelli, Seabra e até Rolim, que tive vontade de seguir carreira em empresas até me tornar um executivo. Parabéns pela reflexão! Me fez viajar! Rs.

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    1. Fala AC. Pois é cara, enquanto alguns desdenham, nós que temos um mínimo de bom senso lamentamos. Precisamos de bons executivos de sucesso para inspirar as próximas gerações isso em um país onde não se dá o devido valor ao empreendedorismo e somos ensinados a sermos empregados ao invez de empregadores. O país precisa muito de ídolos no mundo executivos depois de péssimos exemplos como Eike Batista e André Esteves, Ghosn não pode trilhar o mesmo caminho.
      Obrigado pelo comentário. Estamos juntos. Abcs

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  8. Tenha em mente que comparar um profissional multinacional americano com comentarios do g1 nao fica no mesmo patamar.

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    1. Até lhe daria razão independente se eu nao tivesse tido reações semelhantes as dos comentários por parte de colegas brasileiros na mesma posição do colega americano. Enfim, acho que isto é próprio do ser humano na real. Abcs

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  9. Concordo plenamente com sua postura, AA40, a respeito dos malefícios advindos de conclusões precipitadas. É bem possível que o empresário tenha sido vítima de erros ou omissões de seus contadores.

    Torço também para que tenhamos essa mesma postura em todos os casos de conclusões precipitadas da opinião pública, e não somente quando a pessoa em questão é um rico executivo.

    Por exemplo, é fácil & cômodo concluirmos que todo civil morto em operações policiais era bandido, afinal "se estava perto de bandido, é bandido".

    Não podemos condenar o sucesso, assim como não podemos condenar a pobreza.

    Abraço

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    1. Perfeito. Todo pre julgamento é danoso,não importa qual seja. Abcs

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  10. Boa reflexão. Fiquei intrigado ao saber que vc logo ao despertar vai ler notícia! kkk

    Eu tento retardar isso ao máximo. Espero um dia me livrar de vez dos noticiários.

    Abraços!

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