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Porcentagem Variável de Retirada (PVR): Melhor ou pior do que a TSR ?

Lê-se muito na blogosfera sobre os preconceitos a Taxa Segura da Retirada ou TSR 4% pelos mais variados motivos. Alguns justificados, outros nem tanto. Comentamos sobre alguns aqui mesmo.
Justamente por que muitos dos "mais estudados" em finanças simplesmente não aceitam que uma regra fixa possa se ajustar aos mais variados planos, composições de carteira, níveis de risco, horizontes de tempo e outros é que o pessoal do Bogleheads (o grupo que segue fielmente os ensinamentos de Jack Bogle, criador dos fundos de índices e pai do investimento passivo) criou o conceito de Variable Percentage Withdrawal (VPW) ou Porcentagem Variável de Retirada (PVR) em português livre.



O PVR é um método que adapta os valores de retirada da carteira ao horizonte do plano FIRE de cada FIREE ou aposentado tradicional e a alocação de ativos e retorno do portfólio durante a fase FIRE. Ele combina as melhores idéias dos métodos de retirada fixa como a TSR, para permitir o uso de saques ajustados pelo retorno
Uma das principais vantagens do método ao adaptar as retiradas aos retornos do mercado é que a PVR nunca esgotará prematuramente sua carteira, porém, em contrapartida, os saques possíveis em anos de "vacas magras" podem ser pouco e talvez não suficientes para lhe sustentar.

Logicamente, o grupo desenvolveu o método para o mercado americano onde há mais de um século de dados disponíveis. A tabela abaixo foi criada a partir de simulações de máxima retirada segura para cada horizonte de tempo(considerando idade máxima de vida de 100 anos), característica do portfólio, ou seja, porcentagem em Renda Fixa e porcentagem em Renda Variável e retorno histórico médio das mesmas.
O método VPW usa uma porcentagem variável (crescente) para determinar as retiradas de uma carteira durante a aposentadoria. A cada ano, a retirada é determinada pela multiplicação da porcentagem predeterminada para aquela alocação e idade,  naquele ano,  pelo saldo atual da carteira no momento da retirada.
Veja abaixo a planilha oficial do método PVR (VPW) disponibilizada também aqui em Google Docs e Excel para você baixar:


Taxas de retirada percentual variável com base na idade e na alocação de ativos
Idade Retiradas 30% RV
70% RF
40% RV
60% RF
50% RV
50% RF
60% RV
40% RF
70% RV
30% RF
40 60 3.4% 3.6% 3.8% 4.1% 4.3%
41 59 3.4% 3.6% 3.8% 4.1% 4.3%
42 58 3.4% 3.6% 3.9% 4.1% 4.3%
43 57 3.4% 3.6% 3.9% 4.1% 4.4%
44 56 3.4% 3.7% 3.9% 4.1% 4.4%
45 55 3.5% 3.7% 3.9% 4.2% 4.4%
46 54 3.5% 3.7% 4.0% 4.2% 4.4%
47 53 3.5% 3.8% 4.0% 4.2% 4.4%
48 52 3.6% 3.8% 4.0% 4.2% 4.5%
49 51 3.6% 3.8% 4.0% 4.3% 4.5%
50 50 3.6% 3.8% 4.1% 4.3% 4.5%
51 49 3.7% 3.9% 4.1% 4.3% 4.6%
52 48 3.7% 3.9% 4.1% 4.4% 4.6%
53 47 3.7% 3.9% 4.2% 4.4% 4.6%
54 46 3.8% 4.0% 4.2% 4.4% 4.7%
55 45 3.8% 4.0% 4.2% 4.5% 4.7%
56 44 3.9% 4.1% 4.3% 4.5% 4.7%
57 43 3.9% 4.1% 4.3% 4.5% 4.8%
58 42 4.0% 4.2% 4.4% 4.6% 4.8%
59 41 4.0% 4.2% 4.4% 4.6% 4.9%
60 40 4.1% 4.3% 4.5% 4.7% 4.9%
61 39 4.1% 4.3% 4.5% 4.7% 5.0%
62 38 4.2% 4.4% 4.6% 4.8% 5.0%
63 37 4.2% 4.4% 4.6% 4.9% 5.1%
64 36 4.3% 4.5% 4.7% 4.9% 5.1%
65 35 4.4% 4.6% 4.8% 5.0% 5.2%
66 34 4.5% 4.7% 4.9% 5.1% 5.3%
67 33 4.5% 4.7% 4.9% 5.1% 5.3%
68 32 4.6% 4.8% 5.0% 5.2% 5.4%
69 31 4.7% 4.9% 5.1% 5.3% 5.5%
70 30 4.8% 5.0% 5.2% 5.4% 5.6%
71 29 4.9% 5.1% 5.3% 5.5% 5.7%
72 28 5.0% 5.2% 5.4% 5.6% 5.8%
73 27 5.2% 5.4% 5.5% 5.7% 5.9%
74 26 5.3% 5.5% 5.7% 5.9% 6.1%
75 25 5.5% 5.6% 5.8% 6.0% 6.2%
76 24 5.6% 5.8% 6.0% 6.2% 6.3%
77 23 5.8% 6.0% 6.1% 6.3% 6.5%
78 22 6.0% 6.1% 6.3% 6.5% 6.7%
79 21 6.2% 6.4% 6.5% 6.7% 6.9%
80 20 6.4% 6.6% 6.8% 6.9% 7.1%
81 19 6.7% 6.8% 7.0% 7.2% 7.4%
82 18 6.9% 7.1% 7.3% 7.5% 7.6%
83 17 7.3% 7.4% 7.6% 7.8% 7.9%
84 16 7.6% 7.8% 7.9% 8.1% 8.3%
85 15 8.0% 8.2% 8.3% 8.5% 8.7%
86 14 8.5% 8.6% 8.8% 9.0% 9.1%
87 13 9.0% 9.2% 9.3% 9.5% 9.7%
88 12 9.6% 9.8% 10.0% 10.1% 10.3%
- 11 10.4% 10.5% 10.7% 10.9% 11.0%
- 10 11.3% 11.4% 11.6% 11.7% 11.9%
- 9 12.4% 12.5% 12.7% 12.8% 13.0%
- 8 13.7% 13.9% 14.0% 14.2% 14.3%
- 7 15.5% 15.6% 15.8% 15.9% 16.1%
- 6 17.8% 18.0% 18.1% 18.2% 18.4%
- 5 21.1% 21.2% 21.4% 21.5% 21.6%
- 4 26.0% 26.2% 26.3% 26.4% 26.5%
- 3 34.3% 34.4% 34.5% 34.6% 34.7%
- 2 50.7% 50.8% 50.8% 50.9% 51.0%
- 1 100.0% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0%

O método VPW e as planilhas foram desenvolvidos e aprimorados de forma colaborativa por um grupo de Bogleheads®. [1] Crédito todo deles. Veja ajuda de como utilizar o arquivo.

Trazendo para o Brasil

Como é de se esperar, não temos dados suficientes ainda para criarmos uma tabela dessas para o Brasil, como explicamos na nossa série sobre a TSR no Brasil. Porém, dado ao cenário de juros básicos cada vez mais baixos por aqui, aliados a um mercado financeiro cada vez mais instável e volátil, é recomendado sermos tão conservadores em relação a uma taxa de retirada quanto os americanos.  Portanto, apesar de muitos acharem os números da tabela acima muito conservadores para o Brasil, considero que podemos sim utilizar estes PVRs.

Se utilizarmos a tabela acima, declarando FIRE aos 40 anos, teríamos 60 anos de retiradas variáveis ajustadas pela inflação pela frente. Com uma carteira 40% RV e 60% RF, que considero como boa opção para um FIREE brasileiro, a PVR seria de 3,6% do valor da carteira no primeiro ano, subindo para 3,7% da carteira no quarto ano, 3,8% no oitavo ano e superando os 4% a partir do décimo quarto ano (54 de idade). 
Veja que este método mitiga muito o risco de retornos negativos sequenciais nos primeiros 10 anos FIRE que são os mais críticos como sabemos. Contudo pode restringir muito seus saques em anos de retorno total negativo. Outro problema é a dificuldade de orçar seus gastos quando a retirada possível variar muito de um ano para o outro.

E você caro leitor, o que pensa da PVR? Melhor ou pior do que a TSR? Comente abaixo:




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17 comentários:

  1. Me parece que a VPW tem como ponto de partida o mesmo cálculo da TSR, mas utilizando diversos cenários de alocação de carteira e anos de FIRE.
    Achei interessante como forma de flexibilizar a o famoso 4% da TSR, apesar de ficar próximo a esse percentual na primeira metade da tabela.

    Gostaria de saber sua opinião sobre a TNRP (Taxa Nominal de Remuneração do Patrimônio) que o ViagemLenta usa, pois me parece bem interessante a ideia de saber quanto seu patrimônio precisa render para cobrir os gastos previstos.

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    1. Olá Urso. Acho que já até comentei com o André sobre a TNRP. É uma ótima métrica para se acompanhar porém você não tem controle sobre quanto seu patrimônio precisa te remunerar. Se eu precisar que remunere 10%aa+ipca e aí...? Já a TSR é algo que podemos obter a partir de qualquer montante e ajustar para ser mais conservador ou mais arrojado. Sei que posso agir com base nela com certa segurança,logicamente com suas limitações também, algumas delas a VPW desenvolvida pelos Bogle heads veio para eliminar. Abcs

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    2. "Se eu precisar que remunere 10%aa+ipca e aí...?" e aí que nessa situação a pessoa ainda não pode ficar confortável com relação à IF pois é dificil alcançar essa remuneração do patrimônio, mas uma TNRP relativamente baixa e realista pode dar essa tranquilidade.

      Ainda bem no começo da jornada, estudando e planejando, e aprendo muito na firesfera (principalmente aqui!). Obrigado pelas informações!

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    3. Exato. Se eu tiver 100 mil reais e precisar de 10 mil por mês certamente não teria uma TNRP viável, mas aplicando a TSR 4% eu tenho que posso sacar R$ 330 mensais. Elas não são tão diferentes, apenas gosto da simplicidade da TSR de a qualquer momento saber qual minha margem de custo de vida já coberta. Mas sugiro medir as duas e ainda VPW tbm. Abcs

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  2. Acho que esta tabela é muito mais segura do que a TSR. Ta aí, vou utilizar ela por que quanto mais velha mais poderei sacar e viver melhor deixando menos de herança. Obrigada por trazer isto para nós AA. Beijos

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    1. mas a tsr tambem não garante que vai deixar nada de herança

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  3. Oi AA40, gostei muito dessa tabela. Ultimamente, tenho pensado em fazer um mix das regras, sem nada muito fixo. Ter renda passiva dos aluguéis de imóveis, aluguéis de FIIs, dividendos, sacar um pouco sempre olhando o TSR, considerando a TNRP da planilha do André do Viagem Lenta, e agora, olhando também essa tabela PVR hahaha. Beijos.

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    1. Olá Yuka. Obrigado pela visita. Seu último post foi inspirador.
      Eu também compilo várias métricas além da TSR, são todas boas balizadoras, mas tenho a tendência de simplificar e utilizar mais a que for mais simples seguindo o mantra KIS (Keep it simple). Gosto muito de simplificar e a TSR é ótima nisso. Abcs

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    2. Uau Yuka. Parabéns. Eu não tenho inteligência para tantos cálculos.

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  4. Na atual situaçao eu faço minhas contas de independencia financeira da seguinte maneira:

    15 pilas por mes x 40 anos de vida pela frente = R$7.2 milhas

    se a aplicaçao render a inflaçao depois do IR, missao cumprida. Se render mais, deixo pros descendentes. Se render menos, bem, prefiro nem pensar.

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  5. Muito legal, é bom ver que o pessoal não para de estudar alternativas, mas eu ainda tenho um longo tempo pra pensar o que vou seguir, estou muito longe do FIRE xD

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    1. Quando mais cedo iniciar, mais os juros compostos agirãohttps://www.aposenteaos40.org/2018/03/divagando-sobre-formula-do-valor-futuro.html

      Abcs

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  6. eu prefiro mais simples, tsr 4% e ir ajustando pela inflaçao os gastos do ano anterior. pronto

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  7. Menos ruim que uma taxa fixa. Mas digamos que a pessoa siga essa idéia, como ela sabe quanto precisa juntar ? Eu uso o esquema da TNRP, que no fim das contas também te dá uma taxa de retirada variável.

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  8. Conhece o Otavio Paranhos? Ele tem um canal no youtube sobre investimentos no exterior e nesse post https://m.youtube.com/watch?v=wzKuMYjsfSg ele prova, sem essa intenção heheh (ele nao sabe nada sobre o FIRE) q a TSR de 4% é a forma de manter a carteira viável durante todo o periodo de usufruto. Vale a pena conferir. Abs.

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    1. Conheço sim. Inclusive comentei alguns vídeos dele convidando-o para conhecer e entrar pra comunidade Fire. Vou conferir este vídeo tbm. Valeu

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