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Taxa Segura de Retirada - TSR ou SWR - A Regra dos 4%

Ela é métrica controversa, questionada. Seguida por muitos, criticada por outros tantos, a TSR, ou Taxa Segura de Retirada sem dúvidas é muito importante para qualquer planejamento financeiro pessoal da logo prazo. A TSR também é conhecida por Regra 4% ou SWR (Safe Withdrawal Rate).

Como foi concebida a TSR?


No início da década de 90, três professores da Universidade Trinity juntaram esforços para responder a grande questão: Quanto preciso acumular e quanto posso gastar para me aposentar cobrindo todos meus gastos pessoais?


Naquela época não existiam computadores pessoais nem a capacidade de processamento de hoje. Manualmente eles calcularam com base em dados do período de 1926 até 1995.

A conclusão chegada foi que, em um portfólio investido 60% ações 40% Renda Fixa (nos EUA), a taxa segura de retirada anual (com base em 30 anos) é, em geral, 4% de seu patrimônio líquido ou net worth em inglês. Se seu patrimônio líquido investido é de 500 mil reais, poderia sacar pouco mais de R$ 1,600 por mês corrigidos todo ano pela inflação que não ficaria sem dinheiro em um prazo de 30 anos, mesmo considerando os piores anos de retorno na bolsa americana.

Simplificando o cálculo, A TSR 4% define o quanto de patrimônio você precisa acumular para viver de renda:
➤ Você precisa acumular 25 vezes o seu gasto anual ou 300 vezes a sua despesa mensal (ou sua meta de salário mensal) para poder atingir a independência financeira tão sonhada !

Exemplo: Seu gasto mensal é R$4,500. Isto seria 54 mil reais por ano. Se você investir bem, você precisaria de 25x, ou seja, R$ 1,350,000 reais para obter sua independência financeira !

PS: Seguindo a TSR ou não, O importante para viver de renda com tranquilidade é só usar os rendimentos em excesso a inflação. Se a inflação do mês for 0,38% e seu portfolio rendeu 0,7% no mês, você poderia sacar e gastar 0,32% da carteira.

Nos EUA

Muitas pessoas nos EUA acham que 4% é muito arrojado nos tempos atuais de juros baixos, então eles ajustam a TSR para 3% ou 3,5% ou então acumulam mais, cerca de 33 vezes o gasto anual. Isto se aplica mesmo em tempos de crise como em 2008 com o crash da bolsa....4% poderia ser sacado mesmo neste período.

Sacando 4% anualmente ajustado pela inflação, seu portfólio principal teoricamente não se esgotará pelo período 30 anos. Veja que ele não diz que preservará o principal.

Isto para os EUA, mas e para o Brasil ? 

Apesar do estudo ter sido concebido para os EUA, para o Brasil ela funciona ainda melhor, isto por que por aqui o próprio governo emite títulos do tesouro direto oferecendo juros reais líquidos bem acima de 4%. Veja o título abaixo. É a famosa NTN-B de 2050 (agora rebatizada de IPCA+) que está pagando hoje (abril de 2017) 5,15% além da inflação (IPCA + 5,15).
Comprando um título destes, você garante que mesmo se a inflação subir para 50% ao ano, seu dinheiro renderia bruto 55,15% aa, protegendo* seu capital da inflação rendendo acima dela quando consideramos valores totais.

Observação: Vale lembrar aqui da famosa pegadinha deste título. O imposto de renda incide sobre o total do rendimento e não apenas a parcela prefixada, ou seja, se a inflação subir muito (acima de 30% aa), boa parte de rendimento será devido a inflação e o retorno real líquido poderá ser até negativo. 

Contudo, é justo dizer que o Tesouro Direto IPCA+ é um excelente mecanismo de proteção de seu capital para situações em que há risco de disparada de inflação, comum em países como o nosso.

Não muito tempo atrás (2016) o rendimento chegou deste título chegou a ser de mais de IPCA+7% aa. Você poderia ter "travado" seu rendimento neste percentual, o que muita gente fez, confira.
Para travar a taxa de juros contratada, o título não pode ser vendido antecipadamente, somente em 2050, embora ele pegue isto semestralmente, sendo perfeito para quem quer renda antes do vencimento.

TÍTULO
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2050 (NTNB)
Vencimento
15/08/2050
Taxa Rendimento
5,15% aa
Fonte: Site TD em Abril 2017

Nos EUA, uma TSR de 4% é considerada um tanto arriscada hoje em dia por conta dos juros reais estarem muito abaixo da média histórica. O investidor lá precisa investir na bolsa de valores praticamente 80% do seu capital para tentar chegar a 4% de retorno líquido, coisa que aqui no Brasil o próprio governo oferece a risco baixíssimo (risco país). Então, sem dúvidas, podemos afirmar que no Brasil é mais fácil de utilizar uma TSR de 4% que nos EUA. Alias, para o investir com bom conhecimento que aplica via corretora com baixas taxas, incorpora debentures, Tesouro Direto e ETFs em seu portfólio, poderia facilmente aumentar esta TSR para 4,5% ou até 5%.

Existe este estudo que mostra que no Brasil para o período analisado, uma TSR de 4% teve 100% de sucesso para um período de mais de 50 anos de saque no portfólio enquanto uma TSR de 5% levou o portifólio a durar no mínimo 29 anos  - isso em uma carteira teórica com menos de 50% de exposição a renda variável. (Estudo de 1995 a 2009 portanto antes da estagnação e crise vivida no Brasil no início da década de 2010).
Leia aqui e também aqui excelentes discussões sobre o tema. Portanto uma TSR de 5% para um portfólio bem montado e acompanhado, embora agressivo, pode ser utilizado de forma realista por alguém que realmente saiba o que está fazendo e consegue se adaptar fácil e rapidamente a diferentes situações econômicas.

Críticas a TSR

Existe muito preconceito no Brasil (e também fora) quanto ao uso da TSR, mas isso geralmente vem por parte de blogs (exemplo) e pessoas com um bom conhecimento financeiro que possuem outras métricas para avaliar um portifólio. Para o público em geral, a TSR é uma métrica extremamente útil e importante para se balizar o planejamento financeiro pessoal. Ela vai te fornecer uma noção bem aproximada do tamanho do portfólio que precisa juntar, o tempo para tal, quanto poupar por mês dentre outras, que é o básico para qualquer planejamento financeiro de longo prazo ! Simule aqui


Não quer deixar herança?

Muitos criticam a TSR4 por que não pretendem deixar herança mas o estudo original em nenhum momento diz que a TSR4 preservará o principal. Ela apenas diz que você não ficará sem dinheiro em um período de 30 anos.
Os primeiros anos vivendo de renda são os mais críticos. Qualquer crash de mercado fará com que o poder de geração de renda passiva de sua carteira seja comprometida caso siga retirando uma quantidade além da TSR 4%, sem contar os terríveis efeitos da inflação caso fique acima da meta. Aqui no AA40 recomendamos usar uma TSR4% nos primeiros 10 anos de FI/RE e depois aumentar a taxa de retirada caso seu portfolio tenha performado acima do esperado e não queria deixar herança. Todas essas simulações você consegue fazer facilmente aqui.

Não esqueça que...

  • "Juros compostos são a oitava maravilha do mundo. Quem entende isso lucra, quem não entende, paga." - Albert Einstein


LEIA MAIS

Dúvidas? Como começar? perguntas? Comente abaixo que lhe responderemos !

14 comentários:

  1. Foi um estudo feito em cima dos resultados da bolsa americana. Poderia elaborar em como esse estudo é aplicável ao Brasil ?

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    1. Vaga, fiz isso acima mas concordo que preciso elaborar um pouco mais. Se você pegar os dados historicos da Selic e do IPCA desde 1994 (pq antes disso não havia economia brasileira), e fizer a diferença entre os dois - que é o juro real - verá que a média, apesar de estar diminuindo, foi de mais de 11% de 2002 a 2005, de quase 7% de 2006 a 2010, e de 4.4% de 2010 a 2016. Teoricamente sempre tivemos juros reais acima de 4%, ou seja, uma TSR de 4% é bem conservadora.
      Mas não precisa nem calcular tudo isso...veja o tesouro direto, pegue um título Tesouro IPCA + longo, de 2035, 2045 ou 2050. Veja a taxa de rendimento que está pagando hoje...mais de 5% além da inflação, ou seja, desconte o imposto de renda e seu rendimento real líquido é de quase 5%. Compre um título deste e ao invés de poder sacar 4%, poderá sacar quase 5%...aqui é muito mais fácil que nos EUA...veja quanto o tesouro direto dos EUA está pagando para um TIP, semelhante ao IPCA+, ridículos 0,9% !

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  2. " Comprando um título destes, você garante que mesmo se a inflação subisse para 50% ao ano, seu dinheiro renderiam brutos 55,15%aa, protegendo seu capital da inflação sempre rendendo acima dela." Esse raciocínio não está incompleto? É necessário considerar também o imposto de renda, que incide sobre o rendimento total (inflação + 5,15%), não apenas sobre a taxa "real". No exemplo, incidiria um imposto de 15% em cima do rendimento total de 50,55%, o que implica uma "mordida" de 8,27% sobre o patrimônio, acabando com o rendimento acima da inflação.

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    1. Verdade FF. Nunca paramos para calcular com uma absurda inflação destas (e esperamos nunca precisar), mas sim, você está certo. O IR é sobre todo o rendimento. única forma de RF que garante rendimento real é LCA/LCI IPCA+ que não é muito comum encontrar mas existe. Vamos adequar o txt

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    2. Opa, obrigado pela resposta rápida. É, para nós que tivemos o plano real na maior parte de nossas vidas, nem consideramos as possíveis implicações de taxas de inflação tão altas =)

      Mas não é necessário que a taxa seja tão absurda como 50% para que o IR acabe com o rendimento de um título indexado à inflação, basta que 15% da taxa de inflação seja maior ou igual à taxa de rendimento real. No exemplo, se a inflação bater em 29,2% o rendimento líquido passa a ser zero e você estaria "travado" com um papel que não vale nada. Abs!

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    3. Agredeço a observação. Estava agora mesmo simulando no site do TD. 30% de inflação é realmente onde as coisas começam ficar feias. Acima disto reandimento real é negativo. Agora mesmo assim é uma boa proteção mas não é 100% como muitos pensam.
      Simulei com 1000% de inflação e o TD protegeria em cerca de 850%. Creio que nenhum CDB ofereceria algo perto disso se as coisas caminharem a la Venezuela por aqui. abcs

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  3. Olá Aposente aos 40!

    Belo artigo e mais uma vez obrigado por linkar meu post. Adicionei você ao meu blogrol!

    Valeu!

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    1. Obrigado. Vou adicionar o seu ao nosso blogroll tbm. abcs

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  4. fiquei com uma dúvida: a TSR leva em consideração que o patrimonio acumulado continua rendendo após a IF?

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    1. Lógico VR senão não seria sustentável.

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    2. entendi.
      é que não achei o cálculo da TSR desmembrado, digamos assim.
      obrigado!

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    3. Geralmentea a TSR é definida pelo quando de retorno acima da inflação vc obtêm. 4% ao ano do total do seu patrimônio liquido é geralmente o consenso de quando vc pode sacar e consumir.

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  5. Quem quiser ler mais sobre a TSR, não perca esta entrevista do MadFientist com Michael Kitces que diz:
    " If you got into merely average valuations, it really wasn’t a 4% rule, it was a 5% rule. And if you got into cheaper valuations, it was more like a 5.5% to 6% rule."

    Confira: https://www.madfientist.com/michael-kitces-interview/

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  6. no brasil da pra sacar 5% com os pês nas costas e investimento ultra conservadores..enfiando o pe em debentures , CRA e CRI..fundos multimercados e algumas FII's da pra arrancar 6% e manter o principal facil..abs

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