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Simulação TSR no Brasil (Parte 3): Iniciando FIRE em diferentes anos

Caros leitores,

Estamos elaborando uma série de artigos pioneiros sobre a Taxa Segura de Retirada de 4% aplicada ao Brasil. Como sabem, a TSR 4% é base para os planos FIRE de longo prazo. Se você não sabe do que estamos falando, comece por aqui.

Parte 1

Antes de prosseguir a leitura, não deixe de ler a parte 1 e parte 2 desta série de artigos para entender o que estamos fazendo.
No primeiro artigo vimos que a renda fixa claramente se saiu vencedora em relação a quem investiu puramente em renda variável ou ainda um mix de 50% renda variável e 50% renda fixa, em grande parte devido aos altos juros reais pagos logo após o estabelecimento do plano real e ao índice IBOVESPA não ser um grande indexador em termos de qualidade.

Parte 2

Vimos na parte 2 que mesmo quem investiu puramente em poupança sem conhecimento algum conseguiu sustentar uma TSR de 4% durante os 23 anos do plano real, porém não conseguiu manter o capital inicial corrigido pela inflação, denotando uma erosão do principal. Vimos também que quem decidiu investir em um ativo indexado a Selic (juros base do país) conseguiu mais de 10 milhões de reais a mais de resultado líquido.

Na parte 3 - este artigo - vamos mostrar o que teria acontecido com um investidor que iniciou FIRE (viver de renda) nos anos subsequentes. Será que 1995 foi uma exceção? Qual será o pior ano até agora para ter iniciado uma aposentadoria antecipada sacando os 4% proclamados na famosa TSR 4% ? 

Como não temos um período grande de dados para analisar e nossa grande preocupação estão nos 10 primeiro FIRE, abaixo estão as simulações para diferentes investimentos, com os 10 primeiros anos marcados em cores diferentes:

Tabela 1 - Investindo 100% no índice IBOV. (CLIQUE NAS IMAGENS/TABELAS ABAIXO PARA AMPLIAR)

 Tabela 2 - Investindo 100% em um ativo indexado a taxa básica de juros Selic

 Tabela 3 - Investindo 100% em caderneta de poupança


Resumo dos 23 anos...

Fonte: AA40, proibida a reprodução sem autorização

Os 10 primeiros anos

IBOV: Analisando as simulações acima considerando os 10 primeiros anos, podemos afirmar que o pior ano para começar a viver de renda para o investidor do Ibovespa (Tabela 1) foi 2007 cujo saldo atual (2017) estaria em R$ 820 mil reais. Provavelmente quem começou em 2008 tenha tido resultado ainda pior mas não temos 10 anos de dados completos para dizer isto ainda. 1996 foi o melhor ano até o momento.
Veja que a sequencia de retornos negativos de 2000 a 2002 levou a carteira a perder metade do valor mas como a sequencia de retornos após este período foram boas a carteira se recuperou e acabou com um bom saldo após 10 anos e também saldo atual satisfatório, apenas de menor do quem começou em 2003 por exemplo.

SELIC: Para quem investiu em Selic (Tabela 2), o tempo foi o vencedor. Observamos que gradativamente o saldo ao final de 10 anos foi diminuindo graças a redução dos juros no país e também a diminuição do spread entre juros e inflação. Apesar dos saldos serem nominais, a TSR 4% leva em conta a inflação do ano, então quanto maior a inflação mais sacamos da carteira e menor o patrimônio final restante.

POUPANÇA: Para quem investiu apenas em caderneta de poupança (Tabela 3), a oscilação foi pouca, porém os anos finais da década de 90 impulsionaram os saldos ao final de 10 anos para níveis interessantes, porém, a medida que avançamos no tempo, o rendimento da mesma também caiu, uma vez que até 2012 ela era calculada com base na Taxa Referencial ou TR e esta, apesar de ter um cálculo mais obscuro, também é baseada na taxa de juros do país, que, como vimos acima, também caiu e vem caindo. Com a instituição da nova regra da poupança em 2012 ficou ainda pior.

Concluindo, vemos claramente acima a tendência de diminuição dos juros no Brasil, o que torna resultados como o da tabela 2 cada vez mais difíceis de se obter. Travar rendimentos mais altos, de preferencia rendimentos reais (NTN-B), a cada oportunidade que aparece é uma das melhores oportunidades para garantir resultados acima da média no longo prazo. 
Apesar de já sabermos, investir em poupança fica ainda mais claro que nunca foi um bom negócio e ainda menos com os juros caindo.
Quem tem a oportunidade de investir em títulos como CDB pagando bem acima de 100% do CDI com proteção do FGC não pode pensar duas vezes - a escada de CDBs é um ótimo caminho se considerarmos os resultados históricos já que CDI sempre fica muito próximo da Selic, portanto muito próximo dos resultados da parte mais a direita da tabela 2. Agora temos o TD IPCA+ que não tínhamos em 1995 que paga juros reais e é uma das melhores formas de manter o poder de compra do dinheiro.
Vimos também a importância do fator tempo nos resultados finais. Quantias baixas podem se transformar em milhões em mais de 20 anos no investimento certo. Não perca tempo, invista o máximo possível hoje mesmo e evite mudar de investimentos a toda hora pois isto só é bom para sua corretora. O FIREe deve evitar girar patrimônio em busca de boas empresas pois no Brasil uma empresa não fica boa por muito tempo (vide Cielo).
Faça a escolha certa de início e foque em outras coisas, deixe os juros e o tempo fazerem o trabalho pesado para você !

Bons investimentos e fique ligado para mais posts da nossa série sobre a TSR 4% aplicada ao Brasil e também ao nosso e-book que está sendo elaborado e deverá estar disponível para download em Janeiro 2019 !




22 comentários:

  1. Ótimo trabalho AA40! e que tal se utilizarmos TSR 4,5 ou 5%? Enfim qual a TSR para o Brasil?

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    1. Obrigado anon. Afinal qual a TSR para o Brasil é uma boa pergunta que, enquanto não tivermos 30 anos de plano real não se pode responder. Creio que nem depois disso.
      Como mostramos na parte 1, para uma carteira 100% selic a TSR foi de mais de 10% desde 1995. Vamos usar este número? Claro que não por n motivos explicados.
      Dada a atual conjuntura macroeconomica e dados históricos, jamais ultrapassaria uma TSR de 5% no Brasil, mas este é um número que não podemos matematicamente calcular, só podemos afirmar que 5% nunca falhou no Brasil até hoje (apenas 23 anos).
      Trarei mais detalhes no e-book que devemos lançar em Janeiro. Abcs

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  2. Aposenteaos40, qual sua carteira hj? Vejo que defende bastante a RF em relação ao IBOV por exemplo. Vc já fez simulações com uma carteira de boas empresas?

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    1. Alison, a carteira está no menu portfólio. Minha meta de médio prazo é zerar posição em RV no Brasil. Ficarei só com RF no Brasil e renda variável só nos EUA, mas hoje ainda tenho 15% em RV no Brasil.
      Não fiz as simulações com carteira de boas empresas por que 1- o que vc acha boas empresas pode não ser o que outros acham, 2-poucas empresas hoje estavam listadas em 1995, 3-bastante trabalho manual para algo que é apenas exemplo e não se pode utilizar mais. Existe um estudo do bastter cujo link foi deixado em uma das postagens desta série por alguém. Recomendo dar uma olhadinha lá. Abcs

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    2. Interessante sua forma de pensar. Penso em ter hj 50%-60% RF, imóveis e 50%-40% em ações brasileiras, IVVB11. Já tenho este ETF em carteira sendo uma boa contraposição com a carteira brasileira. Vc tem alguma opinião sobre ele?

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    3. Alison, gosto do IVVB11 como exposição ao mercado americano sem precisar enviar dinheiro para fora, mas ele é cotado em real, ou seja, está exposto totalmente ao cambio para os dois lados, então não é puramente um player de EUA, mas um dual player em FX e S&P. Abcs

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    4. AA40, se me permite uma sugestão ao IVVB11, os fundos Western Asset US Index 500 FI Multimercado e Western Asset FIA BDR Nivel I fazem este trabalho de forma mais diversificada e eficiente. São fundos que acompanham o dolar e o mercado SP500. SP500 é muito mais sólido que na nossa bolsa tupiniquim. Veja que a longo prazo o SP500 desde sua criação nunca entrou em tendencia de baixa. O gráfico é sempre pra cima.. Se estamos e investindo a prazo de 20 anos.. acho que que não tem erro.
      O interessante é saber dosar a hora de entrar em cada fundo, pois os dois tem peculiaridades diferentes, um sofre efeito cambial + SP500, portanto, entrar com dolar em tendencia de baixa vai ser prejudicial. O outro só reflete o índice SP500.

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    5. Interessante WinFut. Fica a dica.
      Só vale a pena observar a tx de admin que é de 1.5%, um pouco alta e investimento mínimo de R$ 25 mil, também um tanto elevado. Abcs

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  3. Alerta: TD IPCA+ pagando hoje 6%aa real !
    Tesouro IPCA+ 2035 15/05/2035 IPCA + 6,00

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    1. Também aproveitei e comprei um rabo de galo de IPCA+ 2035
      Abraço!

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    2. Idem tbm o fiz no 2035 e pqinho de 2024

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    3. Tesouro IPCA+ 2035 15/05/2035 5,97 1.199,78

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    4. É já caiu. Já estamos ganhando dinheiro kkkk

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    5. AA40

      Essa oscilação no tesouro deverá se acentuar até o fim das eleições?

      Tenho visto que o Fed deve elevar as taxas lá nos EUA.. Possivelmente possa influenciar para que essas taxas aqui subam mais certo?

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    6. Sem dúvidas. Caso o lado vermelho vença provavelmente veremos IPCA+6.5 a 7%aa.
      Se o FED aumentar mais os juros o governo brasileiro vai ter que aumentar aqui também se quiser continuar captando recursos ou o dinheiro vai automaticamente fluir para os EUA. Mas lembre-se que os juros altos no TD IPCA+ significam aumento de risco país e isto não é bom para nossa economia em geral !

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    7. Quem comprou naquela oportunidade está muito bem
      https://www.infomoney.com.br/onde-investir/tesouro-direto/noticia/7662782/taxas-oferecidas-pelo-tesouro-direto-despencam-apos-eleicoes-confira-novos-valores

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    8. https://www.infomoney.com.br/onde-investir/tesouro-direto/noticia/7690539/bolsonaro-no-2-turno-permitiu-ganhos-turbinados-no-tesouro-direto-entenda

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  4. AA40,

    Muito bom o seu post. Para mim, os resultados mostram a importância da diversificação.

    Boa semana!

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  5. Acredito que para muitas pessoas, ter uma carteira bem diversificada (em bons ativos), utilizar a alocação de ativos e ir aportando mensalmente, funcionará muito bem no longo prazo!

    Abraço e bons investimentos.

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  6. AA40,

    Sabemos que rendimentos passados não garantem os futuros mas é sempre bom olhar pra trás pra se perguntar como será que estaremos daqui pra frente?

    Você sabe que eu sou o maior defensor de investimentos no exterior mas no Brasil as ações podem dar um bom upside na carteira. Você considerou um valor investido em um determinado tempo e só, confere?

    Acontece que a estratégia de ações é comprar boas empresas sempre que elas estiverem na baixa e a partir dai traçar estratégias. Exemplo, BBAS3 custou R$ 13,00 e depois passou de R$ 33,00. Neste momento uma estratégia interessante seria vender parte da posição para realizar lucro e comprar outra empresa que estivesse "barata". Desta maneira dá pra rentabilizar a carteira muito mais.

    Sem contar que quem comprou mais ações em 2008 no crash, se deu bem hoje.

    Estou pra escrever um post sobre estratégias.

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    1. Olá BPM. Ficaremos no aguardo do seu post. Testar estratégias que incluem carteira de boas empresas no longo prazo é algo muito difícil além de subjetivo. Por exemplo BBAS3 entrou no bolsa só em 2000 e ai como fica para quem começou com esta carteira em 1995?
      Alterar a composição da carteira ao longo do tempo sem critérios é apenas algo empírico, por isso usamos o índice.
      Abcs - AA40

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